já nas livrarias…
coisas que eu vejo a caminho do trabalho | things that i spot on my way to work
Portugal encalhado
dias espessos | thick days
diz | say
vento | wind
o futuro do Egipto | Egypt’s future
a nova coluna de Trajano | Trajan’s new column
a estreia de Antígono | Antigono’s openning
agora que a festa acabou (por agora)
as duas récitas da ópera ANTÍGONO foram momentos de muita intensidade com o coração a correr depressa, a garganta apertada de emoções, e a contemplação do sublime. agora que tudo se desvanece, examino as marcas que me ficaram no corpo:
//é nestes breves momentos de excepção que percebo porque é que temos o melhor trabalho do mundo (ser artistas): todas as frustrações da vida corrente, as lutas, as angústias, os egos embrulhados se desatam para dar lugar à paixão em estado concentrado.
//são grandes as coisas que podemos fazer quando somos muitos: talentosos, rigorosos, apaixonados e solidários.
//precisamos de beleza, do sublime: no meio dos nossos dias tão herdeiros de niilismo e destruição (no que à arte diz respeito) é inspirador olhar para a música barroca e deixar-me arrebatar pela construção do prazer, da inteligência e da emoção.
//no meio da desinspiração geral que reina, ateada pelo espírito merceeiro da nossa imprensa, é muito bom poder vislumbrar as MUITAS pessoas que neste país querem, podem e fazem coisas muito bem feitas.
agora, volto à minha vida normal (com um sorriso nos lábios)
É hoje
Ópera ANTÍGONO estreia às 20h no Grande Auditório do CCB.
A sala vai-se encher, e nós vamos fazer o melhor que soubermos a música que alguém escreveu o melhor que soube, naquela altura.
já nem faltam 2 dias para estrear
é hoje o ensaio geral, à hora do espectáculo. ontem o pré-geral demorou uma tarde inteira.
sinto que deixámos o casulo: há uma efeversccência em que toda a gente se empenha para melhorar os detalhes. somos todos peças de uma máquina grande e sabemos onde cada um deve estar e quando.
combato uma gripe, a energia em baixo, há uma pequena nuvem sobre a minha cabeça. talvez seja só parte do trabalho de parto.
faltam 3 dias para estrear
ensaio corrido do 3º acto: estamos prontos para os gerais.
desejaria esticar para o dobro (pelo menos) este tempo que passo no meio do fosso da orquestra rodeado de naipes de cordas, sopros, a sentir (literalmente) o vento causado pelos movimentos do maestro sobre a minha cabeça, e a estremecer com os pulos que dá em cima do estrado.
mais perto da música? só se enfiar a cabeça dentro de uma tuba, ou assim.
há uma sensação geral de finalização, de estarmos a chegar ao destino da nossa viagem. como dizem os ingleses: “looking forward to…”
faltam 4 dias para estrear
hoje chegaram as sandálias e as botas e um ensaio mais ou menos corrido do 2º acto. algumas falhas aqui e ali mas sente-se que a obra se aguenta, sólida.
os cantores ensaiaram sem figurinos e dá para perceber que um actor/cantor sem figurino é como um guerreiro sem armadura.
como bónus um jantar japonês, sake, e yucan em boa companhia. não preciso de pedir muito mais da vida, hoje…


























