os meus cadernos

os meus cadernos são atelier ambulante, divã de psicanalista, perdidos & achados, caixote do lixo, livro de balanço | gosto da sua dimensão modesta e da liberdade desarrumada | os meus cadernos são a minha casa.

14

hoje é o dia dos 14 anos dela

porque faço livros?

Há quem me pergunte porque faço livros em vez de desenhos que se possam pendurar em paredes. Gosto da intimidade do livro, do cara-a-cara com o leitor, da solenidade do virar de página, da dualidade esquerda-direita. Gosto de o segurar nas mãos, de viajar com ele, de o passar para as mãos de muitas pessoas.

sonhos

há 25 anos que escrevo os meus sonhos / houve até um período em que programava o despertador para me acordar várias vezes durante a noite para os anotar / quando preciso de acertar a minha bússola emocional eles são a minha lanterna / duvido que alguma vez consiga inventar enredos tão surpreendentes quando estou acordado / já andava a pensar nisto há uns anos, e agora chegou a altura de eles fazerem parte do meu próximo livro.

voltar a casa

As aguarelas líquidas (vulgo Ecolines) acompanham-me desde os 14 anos; quando mexo nestes pequenos frascos de líquidos luminosos e transparentes regresso à pré-adolescência, ao refúgio que me davam nesses anos turbulentos e solitários. Voltar a eles é sempre voltar a casa, por isso dei comigo a pensar se o meu próximo livro não será um regresso?

1- estudo para BARRIGA DA BALEIA
2- excerto de A MINHA CASA NÃO TEM DENTRO
3- excerto de ESTÁS TÃO CRESCIDA!
4- autoretrato 2015
5- estudo para a peça A MONTANHA

as capas brasileiras

por causa da amizade e cumplicidade do Ondjaki e da Mariana Warth (editora da Pallas) tenho podido desenhar capas específicas para as edições brasileiras, distintas das portuguesas da Caminho; o triângulo entre estes três continentes é a minha cara.