agora que a festa acabou (por agora)

as duas récitas da ópera ANTÍGONO foram momentos de muita intensidade com o coração a correr depressa, a garganta apertada de emoções, e a contemplação do sublime. agora que tudo se desvanece, examino as marcas que me ficaram no corpo:

//é nestes breves momentos de excepção que percebo porque é que temos o melhor trabalho do mundo (ser artistas): todas as frustrações da vida corrente, as lutas, as angústias, os egos embrulhados se desatam para dar lugar à paixão em estado concentrado.

//são grandes as coisas que podemos fazer quando somos muitos: talentosos, rigorosos, apaixonados e solidários.

//precisamos de beleza, do sublime: no meio dos nossos dias tão herdeiros de niilismo e destruição (no que à arte diz respeito) é inspirador olhar para a música barroca e deixar-me arrebatar pela construção do prazer, da inteligência e da emoção.

//no meio da desinspiração geral que reina, ateada pelo espírito merceeiro da nossa imprensa, é muito bom poder vislumbrar as MUITAS pessoas que neste país querem, podem e fazem coisas muito bem feitas.

agora, volto à minha vida normal (com um sorriso nos lábios)

5 comentários a “agora que a festa acabou (por agora)

  1. André Moreira

    Boa tarde,
    fui ver e gostei, no entanto, fez-me certa confusão a simplicidade da encenação. A ilustração resultou muitissimo bem, as cores, as formas, os movimentos e, tudo ao vivo.
    Gostáva de saber, se não se importasse, qual o programa utilizado.

    Cumprimentos,
    André Moreira

  2. Iskrena

    Carissimo António Jorge;
    Foi um grande prazer conhecer-te e trabalhar contigo e espero que vamos ter outras ocasiões de fazer arte juntos!
    Grande beijo e até breve,
    Iskrena

  3. admin Autor do artigo

    o prazer foi todo meu, acredita, Iskrena.
    a vossa orquestra faz-nos levantar voo.
    até sempre!

  4. admin Autor do artigo

    Photoshop, tão simples quanto isso: a verdade é que comecei a usá-lo por ser o único software de desenho em que conseguia ficar com uma imagem “limpa” sem molduras nem menus.
    Agora, passados uns anos, acumulei alguma experiência e pesquisa na manipulação dos mecanismos operacionais do programa aproveitando todas as características que me pareceram poder ter efeito “performativo”.
    AJ

  5. Fátima Leitão

    Parabéns, António, pelos momentos belos que nos proporcionou. Foi um sábado muito especial, que prazer ouvir um suspiro muito divino, que surpresa ver a minha cidade abalar na moldura de um som barroco. Fortes imagens e simplicidade da encenação, que escolha fantástica, tudo.

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